Exercício da cidadania pode ser pela participação em Conselhos

Há quem se sinta excluído do processo de construção e melhorias da sociedade. Para quem considera muito restrita a participação social somente nos períodos de eleição, quando todos são assediados para votar em um ou outro candidato ou partido, um caminho que pode representar o exercício da cidadania é a participação em conselhos representativos. Na área da deficiência, há três: o Conade (Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência), com atuação em âmbito federal, o CEAPPD (Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa Portadora de Deficiência), que atua em âmbito estadual e, no município de São Paulo, o Conselho Municipal da Pessoa Deficiente (CMPD).
Todas as pessoas com deficiência e familiares podem participar desses órgãos, por meio de entidades representativas da sociedade civil. As três possuem como essência objetivos comuns: incentivar políticas públicas de inclusão social, defender os direitos e promover a cidadania das pessoas com deficiência.


CONADE

O presidente do Conade, Adilson Ventura, destaca que o Conselho é um órgão paritário, formado pela representação das organizações da sociedade civil e órgãos do governo. Entre suas principais competências, destaca “zelar pela execução da política para integração das pessoas com deficiência” e “apoiar e participar das políticas setoriais desenvolvidas por organizações governamentais”, além de fazer valer as leis existentes para que sejam cumpridas, preconizando o direito a cidadania plena das pessoas com deficiência.
“O Conade tem conseguido, embora lentamente, conscientizar a população, que as pessoas com deficiência são também cidadãos com direitos e deveres plenos”, afirma o presidente. Segundo ele, falta um apoio governamental mais amplo com recursos financeiros que possibilitem o fortalecimento do Conade, para ampliar sua capacidade de realização. “O Conade existe graças a mobilização das pessoas com deficiência”, destaca.
Ele lembra que os anos 80 foram nomeados, pela Organização das Nações Unidas, como “A década da pessoa com deficiência”. Nesse período, nasceu o Conade. “Desde então, o Conade tem estimulado a mobilização das diversas áreas da deficiência em organizações nacionais e regionais, para que as mesmas tenham maior poder de reivindicação dos direitos que são preconizados a este segmento”, observa.

CONSELHO ESTADUAL

Também nos anos 80 nasceu o CEAPPD, hoje presidido por Emerson Cañas. É composto por 30 conselheiros eleitos da sociedade civil, representantes de entidades que atuam na área da deficiência, e 20 indicados pelo governo. Independente de atuar ou não como conselheiro, as pessoas interessadas em acompanhar as atividades desse órgão pode solicitar a pauta e atas de reuniões.
Quem desejar acompanhar pessoalmente as atividades do CEAPPD, pode participar das reuniões mensais, realizadas toda última Quinta-feira de cada mês, na sede do órgão. “Quem comparece tem direito a voz”, lembra o presidente.
Cañas define o CEAPPD como um órgão de articulação estadual que atua por meio de dez núcleos regionais, a serem ainda oficializados, sendo esta - a implantação e inauguração dos dez núcleos - uma das prioridades.
O CEAPPD também está priorizando a descentralização de suas ações, buscando parcerias em todo o Estado de São Paulo e a realização de conferências regionais da pessoa com deficiência em todo o Estado.
O presidente destaca que o CEAPPD é um conselho que está se organizando e firmando posição principalmente no interior do Estado. “Nossa missão, nos últimos dois anos, foi de, principalmente, fomentar a criação dos núcleos. Também estabelecemos um convênio com a Corde (Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência), que viabilizou a aquisição de equipamentos (dez computadores e dez impressoras multifuncionais) para suporte a sede de cada núcleo”, ressalta.
Segundo Emerson Cañas, a Corde também viabilizou a aquisição de equipamentos para a sede do CEAPPD, proporcionando a formação de uma rede entre o órgão, os núcleos e 51 conselhos municipais distribuídos pelo Estado de São Paulo. “O apoio da Casa Civil tem sido fundamental para a execução das ações do CEAPPD e demais conselhos de Estado. Esperamos no próximo ano poder colher os frutos da descentralizaçao e da organização das pessoas com deficiência de nosso Estado por meio dos núcleos regionais", observa.

CONSELHO MUNICIPAL

A exemplo do CEAPPD, é possível participar também do Conselho Municipal. Todas as pessoas com deficiência, residentes na cidade de São Paulo, podem se cadastrar no Conselho e participar de suas atividades com direito a voz e voto. São realizadas reuniões mensais, com o objetivo de debater assuntos de interesse das pessoas com deficiência. A cada ano, acontece o Encontro Paulistano de Pessoas com Deficiência, que avalia as ações do Conselho e apresenta novas propostas.
O Conselho possui também os Grupos de Trabalho, que assessoram a Coordenação Geral, onde são discutidas e apresentadas as soluções para os maiores problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência.
Os Grupos de Trabalho são abertos a todos os interessados em levantar, debater e dar respostas às questões que promovam a inclusão social da pessoa com deficiência.

Serviço

CONADE: http://www.presidencia.gov.br/sedh/conade
CEAPPD: http://www.conselhos.sp.gov.br/ceappd-sp/ceappd.html
CMPD:http://portal.prefeitura.sp.gov.br/cidadania/conselhosecoordenadorias/deficientes

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