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Reflexões sobre o não cumprimento da legislação
Em
um grupo de estudos sobre Identidade, no ano passado, discutindo
sobre a legislação que protege os direitos das pessoas
com deficiência, caímos na velha discussão do
porque existem leis que nos protegem do último fio da cabeça
até a ponta do dedão do pé, mas nada é
cumprido.
Depois de longo tempo, colega diz que o que falta nas pessoas com
deficiência é o próprio reconhecimento como
deficientes e como seres humanos, além do reconhecimento
da própria sociedade em nos ver como cidadãos capazes
e emancipados.
Além do reconhecimento, mencionaram também a invisibilidade
das pessoas com deficiência. É lógico: só
se reconhece alguém que seja visível e conhecido.
Penso que, até agora, a pessoa com deficiência, em
sua maioria e de certo modo está sendo super protegida, que
também é forma de rejeição familiar
e social e é difícil dela sair dessa “armadilha”,
que a aprisiona e a torna invisível e/ou incapaz de aprender
e reivindicar.
Daqui para frente penso que devemos refletir e trabalhar sobre palavras
como “preconceito”, “discriminação
e “identidade” das pessoas com e sem deficiência.
Sobretudo, em relação a auto-estima das pessoas com
deficiência, no autopreconceito, enfim, na identidade que
têm delas próprias e na que a sociedade reorganiza,
lançando mão até do politicamente correto.
Não é mudando-se as palavras somente que conseguiremos
mudar a identidade que segrega as pessoas com deficiência,
mas sim, olhando-se para dentro de si, tanto as que possuem deficiência
quanto as demais, pois, penso eu, os preconceitos já deixaram
a razão e foram para os sentimentos - muito mais difíceis
de serem alcançados e muito mais doloridos de serem trabalhados,
pois mais profundos e mais negados. Não excluo ninguém
desta reflexão.
Profa.
Dra. Suely Harumi Satow
www.cedipod.org.br
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