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Grande agitação nem sempre é hiperatividade
Denise Pivato Augusto Aveline*
Muitas
famílias procuram o atendimento clínico trazendo seus
filhos e com eles a suspeita e o rótulo sobre o diagnóstico
de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade(TDAH).
Talvez isto ocorra pela grande veiculação de divulgação
na mídia a respeito deste transtorno neurobiológico,
o que tem gerado uma explosão de diagnósticos e ainda
a prescrição nem sempre cautelosa, de medicamentos
que visam auxiliar na atenção em casos de concentração.
A medicação é indicada em alguns casos. Em
geral, são estimulantes que atuam na região frontal
do cérebro, responsável pela atenção,
memória e auto-controle.
Mas sabe-se que alguns sintomas encontrados neste transtorno podem
estar relacionados a outras patologias ou inadaptacões, interferindo
em todo o desenvolvimento da criança ou adolescente. Estes
sintomas podem ser confundidos, por exemplo, com distúrbios
específicos de aprendizagem, problema auditivo, problemas
psiquiátricos ou dificuldades de ordem reativa.
Características como intensa agitação motora,
dificuldade em manter a atenção focada, ritmo interrompido
na realização de tarefas e desorganização,
podem sinalizar outros problemas, e que se não forem identificados,
avaliados e tratados, muito provavelmente, comprometerão
o desenvolvimento e o processo de construção do conhecimento
do sujeito.
Portanto, embora os dados da Organização Mundial da
Saúde revelem que 5% da população infantil
é portadora do TDAH, é fundamental que os pais observem
e acompanhem o desenvolvimento de seus filhos, e ainda, que diante
de dúvidas, busquem o serviço de uma equipe interdisciplinar
competente. Desta forma poderão ser orientados quanto ao
diagnóstico e posteriormente ao melhor tratamento indicado.
Nossa experiência em trabalho de equipe tem mostrado que muitas
crianças que chegam a nós com hipótese diagnóstica
de TDAH, ao longo da intervenção e do trabalho integrado
com a família e a escola, desenvolvem-se e passam a ter sucesso
na vida escolar e social, mostrando que a hipótese de diagnóstico
inicial não se confirma, nestes casos.
*Psicopedagoga
da AME
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