Depressão - o que fazer

Nos dias atuais, com frequência ouvimos as pessoas falarem sobre depressão, e mesmo nos consultórios e clínicas somos procurados por pessoas que queixam-se de estar em depressão. Mas, o que é a tal falada "depressão"? Acima de tudo é uma doença que tem implicações no corpo, no humor e no pensamento. É bastante diferente de uma "tristeza" ou do "baixo astral". É considerada uma doença adaptativa, na qual o equilíbrio químico do cérebro se encontra comprometido, afetando o indivíduo como um todo.
No quadro depressivo, verifica-se o aumento da reatividade para os sentimentos desagradáveis, podendo variar desde o simples mal-estar até um estado de profunda melancolia. Ou seja, no indivíduo deprimido há um equilíbrio entre a tristeza e a alegria, que são variações normais de humor e, assim sendo, esses estados podem variar desde a total apatia até a euforia.
A depressão que, diferentemente da tristeza, que tem uma causa conhecida, um estado patológico, não havendo algo que a justifique plenamente. Este quadro chamado "Distúrbio Depressivo" pode se manifestar não apenas como estamos descrevendo, mas também como "Distúrbio Bipolar" (no passado chamado de psicose maníaco-depressiva), Depressão Pós-parto" e outras formas. Além disso, há certas épocas em que estamos mais pré-dispostos a depressões como na adolescência, na meia idade e na aposentadoria, entre outras.
A depressão caracteriza-se essencialmente por uma tristeza profunda e imotivada que se acompanha de lentidão e inibição de todos os processos psíquicos. No indivíduo deprimido, as percepções são acompanhadas de uma tonalidade afetiva desagradável: tudo lhe parece "negro", perdendo completamente o interesse pela vida, nada lhe interessa do presente, nem do futuro; e do passado, são só lembrados os acontecimentos desagradáveis. As percepções são lentas, monótonas e descoloridas , e, com frequência, essas pessoas queixam-se de que até mesmo os alimentos perderam seu sabor habitual. Em determinados casos, a influência de fatores externos, ou em consequência de causas internas temporárias, a depressão pode aumentar intensamente, levando o indivíduo a um estado de excitação ansiosa e, não encontrando solução para o sofrimento intolerável, pode não ver mais sentido na vida.
A pessoa deprimida pode passar o dia na mais completa apatia, sem energia até mesmo para as tarefas rotineiras e cuidados pessoais.
Nota-se, no entanto, que, às vezes, a depressão não se apresenta de forma tão evidente. O indivíduo passa a apresentar sintomas físicos (dor de cabeça, distúrbios gastro-intestinais, tonturas e outros) que o levam a procurar médicos. São, então, submetidos a exames, por vezes, iinvasivos, que os tornam ainda mais deprimidos na medida em que não é encontrada nenhuma causa orgânica que justifique tais sintomas.
Os indivíduos com depressão, infelizmente ainda são discriminados, pois os pouco esclarecimento do assunto e, em geral, os familiares e demais pessoas que convivem com o paciente acabam "cobrando" uma atitude e uma motivação para a "cura", que ele não tem condições de encontrar sozinho. Em geral, o que as pessoas não tem conhecimento, o fato de depressão ser uma doença física, psicológica e socialmente determinada, e não apenas um comportamento intencional, "chantagista", para "chamar a atenção", ou para justificar a falta de vontade para alguma coisa como trabalhar ou estudar. Assim, é necessário que a pessoa doente seja submetida a tratamento psicológico (psicoterapia) e, muitas vezes, psiquiátrico, pois, na maioria dos casos, há necessidade, além da psicoterapia, a medicação. Em quadros mais graves, é preciso haver um envolvimento direto da família, através do trabalho de Terapia Familiar, que pode ser muito eficaz.

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