Continência Afetiva

Ivany Nascimento*

A continência afetiva é a base necessária ao ser humano para todas as relações que ele estabelece com o mundo, sendo portanto, fundamental desde a concepção do indivíduo.

Pode ser traduzida por atitudes adequadas, pensamentos e sentimentos positivos e fundamentais para um desenvolvimento saudável.

O primeiro grande continente é o útero materno; a aceitação de uma gravidez, mesmo sendo acompanhada de alterações físicas e emocionais, possibilita a formação deste continente. Após o nascimento, a criança chega a outro continente maior, o mundo com todos os vínculos que irá estabelecer, com o apoio materno, em uma primeira fase e posteriormente, o paterno.

É nesta base inicial que temos o principal continente afetivo, sendo os pais referência, formadores, e responsáveis por parte das primeiras marcas registradas no psiquismo. Marcas que farão parte da existência, e se considerarmos que ser pai ou mãe é um ato sem direito a retorno, pois ninguém deixa de ser pai ou mãe de alguém, o importante é que essa continência afetiva seja de qualidade.

Estudos sobre o desenvolvimento nos mostram que nas desordens afetivas e doenças mentais a dinâmica e o agravamento do quadro está amplamente relacionado com o ambiente e clima afetivo que envolve a vida do sujeito, a falta de continência afetiva dificulta a evolução positiva do tratamento.

Se os pais entenderem que tem em suas mãos a possibilidade de dar o acolhimento, amor incondicional, limites, noções do certo e do errado, tolerância, atenção, desenvolver noções de responsabilidade, estímulo para atitudes de independência dos filhos, e se colocarem como porto seguro no qual esses filhos, mesmo que adultos, possam compartilhar suas dificuldades, buscar conselhos, ou apenas afago, certamente estes pais terão cumprido o seu papel enquanto Continentes de Afeto, cujas lições o filho poderá transpor para as outras relações oferecidas pelo mundo.

A continência afetiva promove o desenvolvimento, que conduz a maturidade. É nessa seqüência de aprendizagem que cada indivíduo descobre que tem também a tarefa de ser seu próprio continente afetivo, buscando auto conhecimento, equilíbrio, bom senso, sendo cuidadoso consigo, tendo respeito e amor pela sua própria vida, para que a auto realização afetiva não esteja, somente, na responsabilidade e dependência do outro.

*Psicóloga da AME