De Robocop a hemicorporectomia: a evolução da reabilitação no século 21

24/06/2021

Por Linamara Rizzo Battistella*

Em 1987, um personagem fictício americano nos encantou com suas características meio humanas, meio máquina. “Robocop, o policial do Futuro” nos intrigava com sua voz metalizada e aparência robotizada, apesar da humanização no rosto e nos sentimentos. Um pouco antes, em meados de 1970, outro personagem fictício, Cyborg, homem biônico de “seis milhões de dólares”, foi beneficiado com uma cirurgia experimental que custou seis milhões de dólares e teve seu braço direito, suas pernas e seu olho esquerdo destroçados e substituídos por implantes chamados, à época, de “biônicos”. Com isso, o personagem passou a ter sua força, corrida e visão ampliadas.

Na esteira dos super-poderes, alguns estúdios cinematográficos americanos deram vida a diversos personagens dos quadrinhos, que preencheram nosso imaginário infantil, com super-heróis, meio humanos, meio poderosos, na luta contra o mal.

Enquanto isso, na vida real, a medicina vem avançando na luta contra a morte e minimizando os efeitos do mal, que pode ser equiparado à perda de movimentos e funcionalidade. Em 1961, tivemos o primeiro caso de hemicorporectomia realizado com sucesso, acompanhado pela Medicina Física e Reabilitação. 

A hemicorporectomia é a amputação translombar, um procedimento indicado para salvar alguém em grave sofrimento e risco de morte, em que a coluna vertebral, medula espinhal lombar, conteúdo pélvico, extremidades inferiores e genitália externa são removidos cirurgicamente. 

Na hemicorporectomia, a vontade de viver supera a transformação do corpo e o desafiador processo de reabilitação é priorizado, a fim de alcançarmos os resultados propostos. E o mais importante, o paciente participa das decisões de todas as etapas que antecedem o procedimento, recebendo orientações sobre o uso de cadeira de rodas ou próteses. Escrevi, com outros médicos e técnicos em Fisiatria, um artigo científico detalhando a hemicorporectomia, realizada recentemente pelo Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas de São Paulo (IMREA HC FMUSP) que pode ser conferido nesse link: https://bit.ly/2T7mvYY

* *A Prof. Dra. Linamara Rizzo Battistella é médica fisiatra e professora titular de Medicina Física e Reabilitação na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Presidente do Conselho Diretor do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do HCFMUSP e Instituto de Reabilitação Lucy Montoro, e Co-Coordenadora do Grupo de Desenvolvimento das Diretrizes de Reabilitação Relacionada à Saúde da OMS/WHO, desde 2012. Presidente da Associação Paulista de Medicina Física e Reabilitação, Coordenadora do Programa de Residência em Medicina Física e Reabilitação da FMUSP e Membro da Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos (NAM)

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