Perspectivas atuais do envelhecimento

15/06/2021

Sabemos que o mundo está envelhecendo rapidamente. Em dados globais, a Organização Mundial da Saúde estima que em 2050 o número de pessoas com mais de 60 anos poderá alcançar os 22%, chegando a 90 milhões de pessoas no Brasil.

Esses dados nos fazem refletir sobre os desafios que temos pela frente e quais recursos disponibilizamos para dar as respostas para o envelhecimento da população. 

O conceito de envelhecimento ativo sugere uma perspetiva positiva, compreendendo uma vida longa. Para a Organização Mundial da Saúde, envelhecimento ativo é o “processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas”. (OMS, 2002)

Sabemos que, somados ao envelhecimento da população, estão ocorrendo grandes mudanças sociais que podem significar uma forma de envelhecer diferente das experiências de gerações anteriores. À medida que ficam mais velhas, as pessoas têm necessidade de viver em ambientes que lhes proporcionem o suporte necessário para compensar as mudanças associadas ao envelhecimento, algumas delas sinônimo de perda de capacidades, implicando na necessidade de adaptação do ambiente físico e social à vida cotidiana.

O conceito do Ageing in place é a política emergente que focaliza essa discussão na compreensão das mudanças que ocorrem no envelhecimento e no seu ambiente envolvente, elegendo a manutenção da pessoa no seu meio natural como meio preferencial de vida (Pynoos et al. 2012a). 

A criação e manutenção de ambientes favoráveis e facilitadores do envelhecimento é uma tarefa indispensável para a promoção do bem-estar das pessoas idosas e para que elas possam continuar a ser, pelo maior tempo possível, autônomas e socialmente relevantes. 

Milligan (2009) defende que a vida independente contribui para manter um sentido de autoconfiança, autocontrole e autoestima positivo, fazendo com que os idosos possam viver de forma independente desde que a sua situação de saúde permita e que disponham de uma residência e de apoio social adequados.

A valorização de respostas de Ageing in place significa responder às necessidades de assistência a partir do contexto onde a pessoa vive, procurando respostas articuladas através de uma integração progressivamente mais ampliada de serviços. Isto significa não retirar a pessoa do local onde ela vive para lhe proporcionar o que ela necessita, mas criar condições para que as suas necessidades sejam satisfeitas.

Para além da preocupação com a habitação e os espaços comunitários, medidas de assistência no domicílio ou programas de natureza social que considerem as progressivas limitações funcionais dos indivíduos são importantes para reforçar a autonomia e a independência. É necessário conjugar respostas adequadas em diversos domínios de intervenção, respondendo aos desafios da população cada vez mais envelhecida.

O ageing in place pode ser visto como a opção mais vantajosa em termos de prestação de cuidados de saúde, podendo ser facilitada pela introdução de tecnologias que permitam monitorizar a segurança das pessoas e que promovam a comunicação e o envolvimento social.

Contudo, o ageing in place pode não deve ser a solução adotada para pessoas idosas que estejam isoladas ou para aquelas que vivem em ambientes inseguros e degradados. Por vezes, corre-se o risco de encarar o ageing in place como uma solução para reduzir custos assistenciais, quando em idades mais avançadas surge a incapacidade funcional, o sucesso da adoção de uma política de envelhecimento em casa requer a existência de familiares ou de cuidadores que permitam à pessoa idosa ser acompanhada para assegurar o seu bem-estar, ou até mesmo a sua sobrevivência. 

No 2º Fórum Global da Organização Mundial da Saúde sobre Inovação para Populações Envelhecidas (WHO, 2015), são identificadas as cinco principais áreas de intervenção no processo de ageing in place: pessoas, lugares, produtos, serviços personalizados, políticas de apoio social (no original, the 5 P’sPeople, Place, Products, Person-centered services, Policy). 

Para terem sucesso, estas diferentes áreas necessitam estar sustentadas em políticas de envelhecimento baseadas em evidências, em iniciativas multissectoriais coordenadas e com um horizonte de sustentabilidade, e em orçamentos alocados aos diversos atores sociopolíticos responsáveis pela sua implementação.

Uma vida autônoma exige ajustamentos sucessivos à medida que as necessidades individuais e o contexto mudam. 

Há situações em que permanecer em casa corresponde efetivamente a um envelhecimento mais satisfatório, sobretudo quando a vida independente garante privacidade e permite a continuidade do controle sobre a vida pessoal (Philips, Ajrouch & Hillcoat-Nallétamby, 2010), mas em outras situações permanecer em casa não é sinônimo de qualidade de vida, isso quando os indivíduos estão confinados a um ambiente inapropriado, situação que pode ter efeitos contraproducentes como isolamento, solidão e desconexão com o ambiente social envolvente (Kohli, Künemund & Zähle, 2005). 

Portanto, o melhor lugar para se envelhecer será, fundamentalmente, aquele que proporcionar a relação mais adequada e favorável entre a pessoa idosa e o contexto que a rodeia. 

Ana Carolina Almeida – Terapeuta ocupacional, mestranda em Gerontologia Social, Assessora de projetos da AME

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