Acontece – notícias de acessibilidade e inclusão

Acontece – notícias de acessibilidade e inclusão

Conheça o tênis que não precisa das mãos para ser calçado

A Nike acaba de lançar nos Estados Unidos o GO FlyEase Hands-Free, um tênis desenvolvido para facilitar a vida de pessoas com deficiência na hora de se vestirem. O modelo foi concebido com base em uma tecnologia que imita o movimento que as pessoas fazem ao tirar o sapato usando apenas os pés. Além disso, uma faixa elástica posicionada acima da base do tênis é responsável por mantê-lo “aberto” durante o momento de calçá-lo, e fechado quando ele estiver sendo usado. “O conceito original por trás desse sapato era dar apoio aos nossos atletas com deficiência. Mas, durante a sua criação, percebemos que ele era realmente universal”, conta um dos designers. O GO FlyEase Hands-Free deve chegar às lojas nos próximos meses e estará disponível em três cores diferentes. O preço será 120 dólares (cerca de 644 reais). Saiba mais


Inclusão digital em foco

A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência abriu inscrições para cursos de inclusão digital para pessoas com deficiência. Gratuitos e em formato de ensino à distância (EaD), o seu objetivo é desmistificar o sentimento de medo e insegurança em acessar recursos tecnológicos. Dentro do módulo de inclusão digital, é possível se matricular em aulas de alfabetização digital, digitação, redes sociais e tecnologia assistiva voltada a pessoas com deficiência visual. A ação é realizada em parceria com o Centro de Tecnologia e Inovação e com o Serviço de Reabilitação Lucy Montoro, com o intuito de garantir maior autonomia e inclusão às pessoas com deficiência. Cada curso tem de seis a quinze horas de duração e as inscrições devem ser feitas por meio do link: http://bit.ly/CursosInclusaoDigital.


Patrimônio cultural brasileiro transforma-se em game inclusivo

Um novo jogo para celulares e tablets, Guardiães da Justiça 1.0, baseia-se no patrimônio histórico e cultural de Pernambuco para divertir crianças a partir de 4 anos de idade, além de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiência intelectual, visual ou auditiva. Desenvolvido pelo Memorial de Justiça de Pernambuco (órgão do TJPE) em parceria com a Tangram Cultural, o game foi lançado em janeiro deste ano em versão trilíngue (português, inglês e libras – com recursos de inclusão e acessibilidade) e pode ser baixado gratuitamente em celulares e tablets nas lojas da Apple e do Google. No ambiente virtual, os jogadores são estimulados de forma lúdica a praticar ações de cidadania e educação patrimonial enquanto se deparam com personagens que apresentam temas como cangaço, escravidão, capoeira e frevo. “Um dos grandes atrativos do game é favorecer a inclusão de parcela da sociedade que não costuma ser contemplada com tantos recursos de acessibilidade comunicacional”, destaca Carlos Amaral, gestor do Memorial.  Leia mais aqui.

Acontece – notícias de acessibilidade e inclusão

Acontece – notícias de acessibilidade e inclusão

STF rejeita vacinação prioritária para pessoas com deficiência

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, negou liminar do partido Podemos para incluir as pessoas com deficiência entre os grupos prioritários para receber a vacina de prevenção à Covid-19. O pedido argumentava que atendimento prioritário previsto na Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015) inclui também, no caso específico da pandemia, “o recebimento prioritário de vacinas, cuidados intensivos em salas de UTI e no uso de respiradores”. Lewandowski considerou que o pleito era muito amplo para ser atendido. Pedido semelhante já havia sido negado anteriormente pelo ministro, em ação proposta pela Federação Brasileira de Associações de Síndrome de Down (FBASD). “Além disso, considerada a notória escassez de imunizantes no País – a qual, aliás, está longe de ser superada -, não se pode excluir a hipótese de que a inclusão de um novo grupo de pessoas na lista de precedência, sem qualquer dúvida merecedor de proteção estatal, poderia acarretar a retirada, total ou parcial, de outros grupos já incluídos no rol daqueles que serão vacinados de forma prioritária, presumivelmente escolhidos a partir de critérios técnicos e científicos definidos pelas autoridades sanitárias”, escreveu. As informações são da Agência Brasil.



Fábricas de Cultura ganham novas tecnologias inclusivas

Espaços multiculturais com programação gratuita, as Fábricas de Cultura mantidas pelo governo de São Paulo receberão novos equipamentos para se tornarem espaços ainda mais democráticos. Nesta semana foi anunciada a entrega de dispositivos voltados aos deficientes visuais, entre eles o OrCam MyEye. Trata-se de uma câmera que cria uma visão artificial sem necessidade de conexão à internet. Acoplada aos óculos, ela identifica textos em inglês, português e espanhol e é capaz de ler entre 100 e 250 palavras por minuto. Serão contempladas as unidades de Vila Curuçá, Itaim Paulista, Sapopemba, Cidade Tiradentes e Parque Belém, além daquela localizada cidade de São Bernardo do Campo. As bibliotecas das Fábricas de Cultura contam ainda com outros equipamentos de inclusão, como linha braile, leitor autônomo, leitor de livros digitais, ampliador de caracteres, teclado ampliado, mouse adaptado, folheador eletrônico e impressora braile. Saiba mais.


Projeto de lei quer reforçar acesso à cultura e ao esporte para pessoas com deficiência

Proposta apresentada pelo deputado Nereu Crispim (PSL-RS) altera o Estatuto da Pessoa com Deficiência para deixar mais clara a garantia da participação segura dessa população como praticante, competidor ou acompanhante em treinos, serviços ou eventos culturais ou esportivos promovidos pelo poder público ou pela iniciativa privada. De acordo com a lei em vigor, já é obrigatório garantir o acesso da pessoa com deficiência à cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. O projeto de Cripim busca dar mais ênfase a essa obrigatoriedade. Para assegurar a igualdade de oportunidades, a proposta prevê a necessidade de adaptações voltadas às pessoas com deficiência em estacionamentos, banheiros, bebedouros, praças de alimentação e outros espaços do local de realização do evento. O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Viação e Transportes; de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Fonte: Agência Câmara de Notícias

Acontece – notícias de acessibilidade e inclusão

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Projeto de lei propõe a reserva vagas de estágio para pessoas com deficiência

Tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 4617/20 estabelece que as empresas públicas e de economia mista reservem o mínimo de 3% de suas vagas de estágio remunerado para pessoas com deficiência. De autoria do deputado Ney Leprevost (PSD-PR), a proposta está sendo apreciada em caráter conclusivo e, para ser aprovada, precisa passar pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. “A deficiência não pode ser, em nenhuma hipótese, motivo para discriminação e exclusão. Pelo contrário, espera-se da contratação de uma pessoa com deficiência o mesmo que se espera de qualquer outra, ou seja, dedicação, profissionalismo, assiduidade”, afirmou Leprevost à Agência Câmara de Notícias. Mais detalhes neste link.



Brasília ganha o primeiro parque 100% inclusivo do país

Localizado em área nobre da capital federal, o Parque Ecológico do Lago Norte está passando por uma série de adaptações para se tornar a primeira unidade do tipo 100% inclusiva do Brasil. As obras incluem a construção de rampas, deck flutuante, sinalização em braille e instalação de pisos táteis, entre outras, que serão mantidas de de forma definitiva no local. Para marcar a transformação, o parque vai promover, no período entre 5 de fevereiro e 31 de março, inúmeras atividades gratuitas para receber as pessoas com deficiência e apresentar as novidades. Estão previstas iniciativas de reabilitação e inclusão social com aulas de tiro com arco, yoga, stand up paddle, paracanoagem, tênis de mesa e horta comunitária. O projeto é fruto de uma parceria com a Unidade Nacional de Acessibilidade e deve beneficiar cerca de duas mil pessoas. O parque funciona todos os dias das 6h às 18h. Saiba mais clicando aqui.  


Ônibus de Aracaju recebem adesivos para ajudar deficientes visuais

A frota de ônibus que realiza o transporte público de passageiros em Aracaju e na região metropolitana da capital sergipana acaba de ganhar os chamados “adesivos da acessibilidade visual”. O objetivo é ajudar os profissionais do setor e demais passageiros a reconhecer as limitações de cegos e pessoas com baixa visão de acordo com a cor da bengala que utilizam. Quando a bengala é branca, significa que a pessoa não enxerga. A verde, por sua vez, indica baixa visão e a branca e vermelha sinaliza que a pessoa, além de cega, também não escuta. A ideia é conscientizar a população e promover a inclusão e a acessibilidade no transporte público da cidade. Leia mais aqui.  

Acontece – notícias de acessibilidade e inclusão

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Ministério Público de SP entra na Justiça contra fim da isenção no IPVA para pessoas com deficiência

Aprovada em 2020, no âmbito do pacote fiscal do governo paulista, a medida que limita drasticamente a isenção do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) para pessoas com deficiência se tornou alvo de ação judicial promovida pelo Ministério Público de São Paulo. A nova regra, que passou a valer no primeiro dia de 2021, estabelece que a isenção só poderá ser concedida apenas a pessoas com deficiência física severa ou profunda (física, visual ou intelectual) que utilizem veículos adaptados. Pela norma anterior, pessoas com 42 tipos de deficiências estavam isentas do imposto. Na ação, o promotor Wilson Taffner, que atua na proteção dos direitos das pessoas com deficiência, pede urgência ao Judiciário para suspender a cobrança. Em nota, o governo do estado, por meio da Secretaria da Fazenda e Planejamento, afirma que a medida foi tomada para “garantir o direito a quem realmente precisa e combater fraudes”. Saiba mais nesta reportagem do G1.



Ídolo paralímpico será embaixador da Secretaria da Pessoa com Deficiência no Rio

Super medalhista da natação paralímpica, o brasileiro Clodoaldo Silva foi nomeado embaixador da Secretaria da Pessoa com Deficiência da cidade do Rio de Janeiro. Desde que se aposentou das piscinas, o Tubarão paralímpico, como é conhecido, se envolveu na luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Com suas 14 medalhas paralímpicas (6 ouros e 6 pratas), Clodoaldo é um ídolo brasileiro do esporte e vai emprestar sua imagem para ampliar a visibilidade e o alcance das pautas sobre inclusão e acessibilidade. “Estou muito feliz pelo convite e reconhecimento. A deficiência estabelece limites, mas nunca incapacidade. Apresentei minhas ideias e propostas e fui tratado com muita dignidade e respeito”, declarou o ex-atleta à reportagem do Globoesporte.com.


Chega ao Senado projeto que prevê carrinhos adaptados em supermercados

Após ser aprovado na Câmara dos Deputados no final ano passado, foi enviado ao Senado o Projeto de Lei 485/2019, que acrescenta dispositivos de inclusão à Lei da Acessibilidade (10.098/2000). A proposta estabelece critérios para a prestação de auxílio às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida e torna obrigatória a oferta de carrinhos de compras adaptados em hipermercados, supermercados e estabelecimentos similares. De autoria do deputado Capitão Wagner (PROS-CE), o projeto prevê ainda que esses comércios tenham funcionários para ajudar os clientes com mobilidade reduzida ou com deficiência durante suas compras. A matéria aguarda votação no Senado e, caso aprovada, entra em vigor 180 dias após a sua publicação no Diário Oficial. Mais detalhes neste link da Agência Senado.

Consequências do uso excessivo de eletrônicos para o desenvolvimento infantil

Consequências do uso excessivo de eletrônicos para o desenvolvimento infantil

Por Clarissa Ferreira Martins*

A prática clínica com crianças nos desafia diariamente com diversos questionamentos sobre o desenvolvimento infantil, dada a amplitude de questões que estão em jogo quando falamos dos processos de constituição da subjetividade.

Neste artigo, faremos um recorte sobre a questão dos dispositivos tecnológicos oferecidos para as crianças na atualidade e como podemos aproximar seus usos e abusos às especificidades dos sintomas clínicos que nos apresentam.

É fato que na atualidade as crianças pequenas estão mais presentes nas clínicas psicológicas. Se por um lado, comemoramos a possibilidade dessas crianças poderem ter acesso às intervenções precoces e com isso aumentar as chances de reverter problemas do desenvolvimento, por outro falamos de um fenômeno da cultura atual, com uma explosãode epidemias diagnósticas como, por exemplo, hiperatividade e autismo. Há uma busca incessante por medicalização em detrimento do tempo necessário ao cuidado e ao desenvolvimento do bebê e da criança pequena.

Não falaremos, contudo, nem da significativa importância de intervenções precoces – que não requerem diagnósticos fechados em crianças menores de 3 anos –, nem dos prejuízos das epidemias diagnósticas para a constituição da subjetividade. Tocaremos aqui na discussão sobre como essas crianças, que estão sendo trazidas para atendimento, apresentam uma relação de excesso com as telas de tablets, celulares e afins, em detrimento dos cuidados corporais e interações estabelecidas com elas, desde o início de suas vidas.

Podemos observar o quanto as crianças pequenas são expostas cada vez mais cedo às telas. Temos hoje a presença maciça das telas na vida de bebês em momentos de acolhimento, como se fossem chupetas eletrônicas, assim como mediadoras na hora da alimentação, do diálogo e do ninar.

Suportes de celulares para serem acoplados em carrinhos de bebês já fazem parte do enxoval de um recém-nascido, assim como cadeiras balançantes que substituem o colo da mãe, sendo que as mais modernas já vêm equipadas com suportes para tablets.

O tempo de exposição às telas também vem crescendo significativamente, graças à portabilidade dos aparelhos, celulares e tablets, que podem ser carregados por todos os cômodos da casa, assim como nos trajetos e espaços de lazer.

A questão fundamental é que esses aparatos tecnológicos não estão sendo utilizados como recursos extras ou de lazer. Observamos adultos ligarem os tablets nos carros de passeio para só depois colocarem a criança na cadeirinha. Ou seja, não é que o trajeto tenha sido longo ou cansativo e a experiência tornou-se exaustiva para a criança. O acionamento da tela se dá antes mesmo de qualquer experiência com seu corpo, seu lugar no espaço e sua interação com o outro.

Recebemos ainda relatos recorrentes sobre alimentação de bebês, inclusive na amamentação, que se faz necessariamente diante de telas. Há crianças que chegam a cerrar os lábios até que a tela seja ligada e abrem a boca esperando pelo alimento a partir do início do vídeo, sem que ao menos a comida esteja por perto.

Os cuidados corporais primordiais como trocar, alimentar, banhar, ninar, acolher, assim como o contato e comunicação que vão sendo estabelecidos nesses momentos, são fundamentais para transmissões psíquicas no processo constitutivo de subjetividade, condição que está para além do advir de crianças adaptadas.

De uma forma geral, temos nos deparado com um perfil de crianças pequenas que estão bem adaptadas, mas com sintomas de difícil acolhimento pela família, tais como episódios de agitação e birras prolongadas, escapes de xixi e cocô, dificuldades alimentares etc. A promessa de técnicas infalíveis ou resultados imediatistas para enfrentar tais dificuldades favorecem a oferta em excesso desses aparatos tecnológicos. Precisamos, no entanto, refletir sobre o fato de que, utilizando as telas como substitutos de cuidados, podemos estar comprometendo a transmissão simbólica que dá lugar e sentido de existir para a criança no mundo e que favorece um desenvolvimento para além da adaptação.

Investigar a agitação de um filho muitas vezes leva tempo, um tempo de relação com essa criança no qual se constrói um saber sobre ela, diante de muitas dúvidas, mas também de muitas descobertas e satisfações.

Falando em atualidade e parafraseando um meme de facebook: “a maternidade é como pilates, se está fácil, tem algo errado”. Quando as telas, e apenas as telas, acolhem, acalmam e alimentam as crianças, quando não nos aventuramos nas dificuldades e prazeres dessa relação, podemos nos deparar com os mais diversos sintomas, ou seja, com sinais de que algo não vai bem com nossas crianças.

*Clarissa Ferreira Martins é psicóloga do Centro de Desenvolvimento Humano, unidade clínica da AME

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