Ivan Baron, o influencer da inclusão

Ivan Baron, o influencer da inclusão

Aos 23 anos, o potiguar Ivan Baron tem amplificado sua voz para todo o Brasil investindo em conteúdo educativo de forma leve, didática e responsável. Após estourar nas redes sociais –com mais de 260 mil seguidores entre Instagram e TikTok—, onde lançou a série “Minha Vida com Paralisia Cerebral”, o influenciador apresenta seu primeiro e-book, “Guia Anticapacitista”. “Por conta do meu trabalho nas redes sociais, sempre surgem dúvidas sobre o capacitismo. Eu costumava responder manualmente, até que pensei: ‘Por que não montar um material rápido, explicativo e com aquele toque de humor?’”. Para o e-book, vendido por R$ 9.90 na Hotmart, ele também convidou alguns colegas influenciadores, como a escritora Violeta Alvez, que dedicou um dos capítulos para falar sobre as mulheres e sua relação com a deficiência. “Eu não podia contar apenas com uma narrativa, já que somos pessoas com deficiência, no plural”, diz. Outra área de atuação de Ivan são as palestras. Depois de algumas apresentações pelo Brasil, o influenciador se prepara para mais uma, “O que é o capacitismo? Histórias e vivências, com Ivan Baron”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). O evento (desta vez online) acontece no dia 9 de abril, às 16h. As inscrições podem ser feitas no site do MAM. Lei aqui a matéria completa.

Precisamos falar sobre capacitismo

Precisamos falar sobre capacitismo

Em recente post em seu blog, o nadador paralímpico Clodoaldo Silva aborda um tema que, apesar de extremamente presente na sociedade, ainda é mal compreendido: o capacitismo. O atleta explica que a discriminação de pessoas com deficiência, assim como o racismo e o machismo, é também um tipo de preconceito estrutural e, muitas vezes, inconsciente. Só que, como ele ressalta, alguns termos utilizados no dia a dia ferem e desmerecem a existência das pessoas com deficiência. “Nossa sociedade é cheia de conceitos certos e errados e, o pior, vive disseminando, sem perceber, o capacitismo”, afirma. Segundo Clodoaldo, a maioria dos indivíduos não tem informações suficientes sobre o universo das pessoas com deficiência e, assim, os preconceitos vão sendo passados de geração em geração. Para ajudar a explicar o conceito de capacitismo, quais seus impactos na sociedade e combater esses vícios comportamentais e de linguagem, ele elenca dez dicas. Confira:

1 – A pessoa com deficiência não é incapaz. Ela pode desenvolver uma via plena e funcional.

2 – A forma como a pessoa com deficiência desenvolve uma tarefa pode ser diferente da maioria das pessoas, mas isso não a torna incapaz.

3 – Antes de presumir que a pessoa não consegue e já sair oferecendo ajuda só porque a pessoa tem deficiência, deixe-a realizar qualquer que seja a atividade.

4 – As pessoas com deficiência trabalham, têm vida, se divertem, bebem, transam e isso deve ser normalizado.

5 – A deficiência, seja ela de qual natureza for, não é em si uma doença, e a pessoa com deficiência não está necessariamente procurando uma cura ou mudança.

6 – A pessoa com deficiência não deve ter obrigação nenhuma em ser vista como um exemplo de superação.

7 – Supervalorizar uma pessoa com deficiência simplesmente por ela realizar um trabalho comum, como usar um computador, intrinsecamente mostra que você imagina que ela era incapaz para a tarefa.

8 – A pessoa está vivendo a sua vida, portanto não deve ser transformada em um herói só por viver com sua deficiência.

9 – João sem braço, desculpa de aleijado é muleta, pior cego é aquele que não quer ver, retardado, aleijado, mongoloide são expressões e palavras preconceituosas que dão força ao capacitismo.

10 – O contrário de uma pessoa com deficiência não é uma pessoa normal, mas sim, uma pessoa sem deficiência.

Para ler o post completo no blog de Clodoaldo, clique aqui.

Economia digital: uma ferramenta de inclusão?

Economia digital: uma ferramenta de inclusão?

Um novo estudo, “Uma economia digital inclusiva para pessoas com deficiência” –realizado pela Rede Global de Negócios e Deficiência da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com a ONG espanhola Fundación Once—, aponta que a Covid-19 tem acelerado a transição digital e aberto oportunidades sem precedentes para alcançarmos um mundo laboral mais inclusivo. No documento, são analisados, entre outros tópicos, os efeitos da atual revolução tecnológica na criação de novos empregos, além de mudanças nas funções e modelos de trabalho existentes. Uma das conclusões da OIT é que, apesar de a pandemia só ter acelerado as tendências já presentes no mundo profissional, como a expansão da economia digital, esse movimento pode agravar a situação de quem não tem habilidades ou equipamentos necessários, aumentando a exclusão de pessoas com deficiência. Assim, a entidade recomenda mais esforços para melhorar as habilidades e acessibilidade digitais dessa parcela da população mundial (atualmente estimada em 1 bilhão de indivíduos) e destaca o papel das chamadas tecnologias assistivas –entre elas aparelhos, técnicas e processos—  para gerar novas ocupações e oportunidades para esse público. Leia aqui a matéria completa.

Investimento corporativo em inclusão cresceu em 2020, aponta consultoria

Investimento corporativo em inclusão cresceu em 2020, aponta consultoria

Segundo estudo realizado pela Talento Incluir, consultoria que interliga profissionais com deficiência ao mercado de trabalho, em 2020 as empresas investiram 78% a mais em programas para o fortalecimento da cultura de inclusão do que no ano anterior. A empresa também ressalta que, mesmo em um período tão desafiador para a geração de empregos como neste último ano, promoveu a inserção de 231 pessoas com deficiência (PCDs) no mercado. Esse número, porém, foi menor do que o registrado em 2019, quando a Talento Incluir mediou a contratação de 474 trabalhadores. De acordo com o levantamento da consultoria, o setor que mais empregou PCDs em 2020 foi o financeiro, seguido pelo agrícola e o de saúde. E, entre as vagas preenchidas, 90,91% foram para funções administrativas, 6,06%, operacionais, 2,16%, técnicas, e 0,87%, comerciais. “O tema ‘inclusão’ passou a ter ainda mais relevância nas empresas, que começaram a abrir altos cargos para cuidar de gente sob o conceito da diversidade. Isso é um bom sinal. Trabalhamos para que o mundo não precise mais ser obrigado por lei a realizar inclusão e, sim, para que ela aconteça de forma natural e por convicção”, diz Carolina Ignarra, CEO da Talento Incluir. Clique aqui para ler a matéria completa.

Diante de tanta morte, temos a chance de ressignificar a vida

Diante de tanta morte, temos a chance de ressignificar a vida

Estamos vivendo um momento delicado na história da humanidade, que vem gerando angústia devido ao quadro de perdas que infelizmente ainda se apresenta. As epidemias (antigamente usava-se a palavra pestes) mudam trajetórias de povos, e quando olhamos para o passado vemos o quão significativa é a transformação que elas promovem.

O tema morte está presente em nossas vidas desde que nos “entendemos por gente”. Lidar com a finitude é uma das principais angústias existenciais e isso nos constitui enquanto humanos. Temos consciência que os momentos têm fim e, apesar da angústia gerada, a conclusão leva à finalidade. Mas, afinal, qual é a finalidade da vida? Eis a questão que nos acompanha há tempos.

Olhar para a morte assusta. Contudo, também nos permite enxergar o seu oposto: a vida. E, nesse contraponto, ganhamos a possibilidade de dar sentido a algo único, conforme nossos desejos e potenciais. Podemos deixar a nossa marca e contribuir com o futuro, gerando assim uma transcendência que garante a permanência, mesmo que seja de maneira subjetiva.

Quando perdemos alguém, a dor é forte e real. Sim, a sensação é de que perdemos algo de nós. Melancolia e demais sintomas físicos podem traduzir essa dor tão intensa e são até esperados em momentos de luto, e cada pessoa utiliza recursos diversos da cultura em que está inserida para cuidar de si. Respeitando esse período, a perda ganha outros contornos e passamos para uma etapa importante, a de re-conhecer o que ficou em nós daquela pessoa amada.

No final do marcante ano de 2020 houve o lançamento do filme “Soul” (Pixar e Disney), que traz reflexões importantes sobre o momento da morte. A obra nos provoca a pensar na finalidade, ou melhor dizendo, no propósito da vida. Será que até então vivíamos (ou vivemos) de maneira inteira, curtindo os momentos na intensidade adequada para nos preencher de memórias e significados? O que de fato ganhamos com a vida? O que desejamos?

Na Idade Média ocorreu uma epidemia que contaminou toda a Europa, e em meio à sensação de desalento e forte angústia surgiu um movimento filosófico que divulgava o Carpe Diem, termo do latim que significa “colha o dia, aproveite o momento”. Séculos passaram-se e houve muita história daquele momento para o atual, mas ainda nos deparamos com essa expressão, seja em objetos decorativos ou em tatuagens. Hoje, novamente no contexto de uma pandemia, seguimos essa advertência? Estamos contemplando e aproveitando o momento em sua plenitude?

Uma das características da ansiedade que domina boa parte da população é que ela vem do fato de se viver de maneira acelerada e em busca de algo que nem se sabe bem o que é. Nesse compasso, não conseguimos perceber por inteiro os detalhes da vida e, internamente, a experiência se torna frágil, quase inexistente. Sem essa integração, nossos recursos internos ficam empobrecidos e a vida perde a sua potência.

A esperança é que possamos ressignificar nossa vida perante a realidade brutal e inequívoca que a morte nos impõe. Temos a chance de reaprender a viver, e assim o morrer pode ser algo que só delimitará nossa existência, sem impedir a sua plenitude e força. Ainda é tempo de viver.

                                                                                                                          Michelle Carioca

Março 2021                                                                                 Psicóloga da Unidade Clínica da Ame

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